Como já é de conhecimento popular, a psicanálise foi criada por um médico Vienense nos fins do século XIX chamado Sigmund Freud. Este homem revolucionou a psicologia ao declarar que o homem é regido pelo
inconsciente, ou seja, a racionalidade humana não passa de mero discurso. As pulsões que regem o homem são, desde a infância, em sua maioria, os impulsos sexuais. Isso soara como uma tremenda calúnia à aquela sociedade da época. Ao tratar do incosciente, Freud elabora na teoria da psicanálise a idéia de Id, Ego e Superego, que são o inconsciente, a ação humana propriamente dita e a razão, ou a moral, respectivamente. O Ego (ação) é portanto o resultado da luta entre o Id e o Superego. É como se ouvesse uma briga pelo que voce quer fazer, por mais indescente ou absurdo que seja, e a razão, que é a moralidade que o sujeito absorveu da sociedade. Portanto a mente das pessoas funciona em uma completa luta entre a vontade e a moral. Id é o inconsciente, mas que tenta a todo momento tornar-se consciente. É como se voce sentisse muita vontade de matar sua mãe (essa vontade localiza-se no inconsciente) mas a moralidade da sociedade não permite que voce sequer pense isso. Resultado: Muitas vezes as pessoas desenvolvem sintomas crônicos para manter esta vontade escondida, para externaliza-la de outra forma (sintomas).O momento em que o inconsciente mais tenta se mostrar presente é nos sonhos. Segundo Freud, são nos sonhos que aparecem as vontades escondidas que cada pessoa tem, mas devido ao nosso Superego (moralidade) não conseguimos muitas vezes compreende-los. Por isso que dormindo, produzimos estranhas histórias, que parecem fazer sentido, mas sem que saibamos qual. Os sonhos são caóticos, atemporais, pois misturam fatos que ocorreram no dia anterior assim como lembranças da infância. A lógica do sonhos é a emoção. As vezes colocamos ênfase em alguns momentos, em alguns detalhes dos sonhos. Esta ênfase é uma distorção que a pessoa faz, levada pela vontade presente no subconsciente. Mas cada detalhe do sonho, cada imagem é de extrema importancia, pois está ali devido ao inconsciente.
Voce leitor, a esta altura deve estar lendo o título da postagem e se perguntando porque diabos eu o nomiei assim. De quem é o outro nome que aparece ao lado do de Freud? Porque está lá?
Pois vamos agora tratar do que realmente me fez fazer esta postagem. David Lynch é o nome do meu diretor de cinema favorito. Foi ele quem fez o filme que mais me int
rigou em toda minha vida. O que ele tem a ver com Freud? Assista "Mulholland Drive"(no Brasil, "Cidade dos Sonhos") e voce entenderá perfeitamente do que estou falando."Mulholland Drive" é um filme baseado na teoria do inconsciente e dos sonhos que Freud produziu. Só percebi isso agora que estudei um pouquinho desta teoria. Não pretendo estragar a diversão de quem ainda não o assistiu, mas comentarei um pouco do que se trata.
Antes de ser assassinada dentro de sua limosine, um carro cheio de jovens bêbados salvam a vida de Rita (Laura Harring). Sem memória, a bela atriz chega à casa onde Betty (Naomi Watts) está hospedada para uns testes de elenco. Ao conversarem, tentando se lembrar do ocorrido, as duas vão encontrando pistas de algo muito maior do que o imaginável, em um mundo cheio de ilusões, fantasias e horror.
Uma mistura de realidade e sonho faz com que o espectador fique perdido, e indignado ao ver o cast subindo à tela; mas à aqueles que gostam de um
desafio, com certeza ficam pensando por muito tempo o que Lynch quis dizer. A forma que o diretor cria o psicológico dos personagens, usando alguns conceitos psicanalíticos como recalque (distorção da realidade, idealização), é capaz de dar um nó no cérebro de cada um.Desafie sua mente. Assista o filme pelo menos duas vezes. E de preferência, conheça um pouco de psicanálise, pois "Mulholland Drive", só Freud explica.
Oscar 2002. Whoopi Goldberg apresentava a cerimônia e ia encaixando aqui e ali suas piadinhas. Numa dessas, Goldberg solta: "Eu entendo tudo! A única coisa que eu não consegui entender foi Mulholland Drive. Era para entender?", risos gerais da platéia. A pergunta em questão era direcionada para David Lynch, responsável pelo filme e, ali, concorrendo ao Oscar de melhor diretor.


