terça-feira, 21 de novembro de 2006

David Lynch & Freud: Genialidade a serviço da arte

Hoje passei passei mais uma de minhas manhãs lendo um texto de uma das disciplinas que estou cursando neste período. Uma disciplina de psicologia da educação. Essa disciplina carrega a marca de ser "amada por uns e odiada por outros" colegas do curso de História. Para mim, que por muito tempo pensei em cursar psicologia, a matéria agrada bastante, principalmente a teoria que estamos estudando agora: psicanálise.
Como já é de conhecimento popular, a psicanálise foi criada por um médico Vienense nos fins do século XIX chamado Sigmund Freud. Este homem revolucionou a psicologia ao declarar que o homem é regido pelo inconsciente, ou seja, a racionalidade humana não passa de mero discurso. As pulsões que regem o homem são, desde a infância, em sua maioria, os impulsos sexuais. Isso soara como uma tremenda calúnia à aquela sociedade da época. Ao tratar do incosciente, Freud elabora na teoria da psicanálise a idéia de Id, Ego e Superego, que são o inconsciente, a ação humana propriamente dita e a razão, ou a moral, respectivamente. O Ego (ação) é portanto o resultado da luta entre o Id e o Superego. É como se ouvesse uma briga pelo que voce quer fazer, por mais indescente ou absurdo que seja, e a razão, que é a moralidade que o sujeito absorveu da sociedade. Portanto a mente das pessoas funciona em uma completa luta entre a vontade e a moral. Id é o inconsciente, mas que tenta a todo momento tornar-se consciente. É como se voce sentisse muita vontade de matar sua mãe (essa vontade localiza-se no inconsciente) mas a moralidade da sociedade não permite que voce sequer pense isso. Resultado: Muitas vezes as pessoas desenvolvem sintomas crônicos para manter esta vontade escondida, para externaliza-la de outra forma (sintomas).
O momento em que o inconsciente mais tenta se mostrar presente é nos sonhos. Segundo Freud, são nos sonhos que aparecem as vontades escondidas que cada pessoa tem, mas devido ao nosso Superego (moralidade) não conseguimos muitas vezes compreende-los. Por isso que dormindo, produzimos estranhas histórias, que parecem fazer sentido, mas sem que saibamos qual. Os sonhos são caóticos, atemporais, pois misturam fatos que ocorreram no dia anterior assim como lembranças da infância. A lógica do sonhos é a emoção. As vezes colocamos ênfase em alguns momentos, em alguns detalhes dos sonhos. Esta ênfase é uma distorção que a pessoa faz, levada pela vontade presente no subconsciente. Mas cada detalhe do sonho, cada imagem é de extrema importancia, pois está ali devido ao inconsciente.
Voce leitor, a esta altura deve estar lendo o título da postagem e se perguntando porque diabos eu o nomiei assim. De quem é o outro nome que aparece ao lado do de Freud? Porque está lá?
Pois vamos agora tratar do que realmente me fez fazer esta postagem. David Lynch é o nome do meu diretor de cinema favorito. Foi ele quem fez o filme que mais me intrigou em toda minha vida. O que ele tem a ver com Freud? Assista "Mulholland Drive"(no Brasil, "Cidade dos Sonhos") e voce entenderá perfeitamente do que estou falando.
"Mulholland Drive" é um filme baseado na teoria do inconsciente e dos sonhos que Freud produziu. Só percebi isso agora que estudei um pouquinho desta teoria. Não pretendo estragar a diversão de quem ainda não o assistiu, mas comentarei um pouco do que se trata.
Antes de ser assassinada dentro de sua limosine, um carro cheio de jovens bêbados salvam a vida de Rita (Laura Harring). Sem memória, a bela atriz chega à casa onde Betty (Naomi Watts) está hospedada para uns testes de elenco. Ao conversarem, tentando se lembrar do ocorrido, as duas vão encontrando pistas de algo muito maior do que o imaginável, em um mundo cheio de ilusões, fantasias e horror.
Uma mistura de realidade e sonho faz com que o espectador fique perdido, e indignado ao ver o cast subindo à tela; mas à aqueles que gostam de um desafio, com certeza ficam pensando por muito tempo o que Lynch quis dizer. A forma que o diretor cria o psicológico dos personagens, usando alguns conceitos psicanalíticos como recalque (distorção da realidade, idealização), é capaz de dar um nó no cérebro de cada um.
Desafie sua mente. Assista o filme pelo menos duas vezes. E de preferência, conheça um pouco de psicanálise, pois "Mulholland Drive", só Freud explica.



Oscar 2002. Whoopi Goldberg apresentava a cerimônia e ia encaixando aqui e ali suas piadinhas. Numa dessas, Goldberg solta: "Eu entendo tudo! A única coisa que eu não consegui entender foi Mulholland Drive. Era para entender?", risos gerais da platéia. A pergunta em questão era direcionada para David Lynch, responsável pelo filme e, ali, concorrendo ao Oscar de melhor diretor.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Nosso dever

O mundo hoje é marcado por uma confusão de princípios, por uma crise de valores e por falta de paradigmas a ser seguidos. O inimigo comum já não é visível como outrora. Mas então contra o que lutamos?
Pergunta difícil de ser respondida mas que causa inquietação em mim, que tenho como objeto de estudo o Homem e suas ações. Pois bem: para mim esse inimigo invisível mas declarado é a mediocridade dos tempos hodiernos.
Nunca teve-se acesso a informações de forma tão rápida e em larga escala como hoje. Televisão, Internet, revistas especializadas, enfim, inúmeras formas de adquirirmos conhecimento nos é possível; mas ao mesmo tempo nunca o conhecimento fora tão descartável como agora. As pessoas preferem os meios de informação rápido à leitura, logo esta que cria no homem um senso crítico e uma melhor conciência de idéias. O mundo das imagens substituem o mundo das palavras.Nossa crianças leem por obrigação e de forma desinteressada. Nas escolas, os estudantes não se lembram do que estudaram a poucos meses atrás. O conhecimento é aplicado de forma apenas a dar ao aluno uma boa nota na prova ou uma vaga na universidade. Nada mais. O ensino é tratado apenas como uma relação de mercadoria.
Será que a humanidade está passando por um processo de "emburrecimento"?
Nunca as pessoas se desinteressaram tanto pelo mundo em que vivem.
O que eu, como educador, estudante de História e cidadão posso fazer para melhorar o mundo à minha volta? Como posso colaborar para combater esta mediocridade tão enraizada no ambiente em que [sobre]vivo?
Acredito que não é função do historiador atenuar esta crise que a humanidade passa. Sua FUNÇÃO é estudar e compreender a história, ou seja, compreender a própria crise da sociedade. Mas é seu DEVER MORAL, como de qualquer estudante de Ciências Humanas, educador e intelectual, despertar na sociedade um senso crítico e uma capacidade de indignação para com a sua realidade. Mostrar às pessoas como deixar de ser medíocre. Instiga-las a discussão sobre as ações do Homem no passado e levá-las a refletir sobre o mundo hoje. O estudante de história tem sim o DEVER MORAL, NÃO A OBRIGAÇÃO, de ter um engajamento político, pois na sala de aula, através de seu discurso, ele é formador de opinião.
Como superar a mediocridade dos tempos [pós]modernos e da lógica capitalista que mercadoriza tudo? Como superar este mundo em que se perderam os valores? Levando as pessoas à reflexão através da crítica. Esse é o nosso DEVER.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Viver de Arte



Quem nunca pensou em viver de Arte? Ganhar a vida sob os palcos, atrás das telas (de cinema ou de tecido marcado por tinta) ou ainda por trás das letras e páginas? Pois é... eu também não sou diferente.
Há alguns anos atrás, pensava em fazer isso como músico, atrás de uma guitarra, fazendo Riffs & Acordes distorcidos. Pois bem. O tempo passou. A guitarra ainda é companheira, mas apenas nos momentos de discontração dos fins de semana.
Agora faço Teatro. Uma baita oportunidade de me discontrair e brincar de ser ator em meio a rotina da estressante vida universitaria. Mas essa brincadeira também as vezes me faz pensar em seguir em frente. Não que eu não seja feliz no ofício de professor/historiador; é a minha maior vontade e minha prioridade, mas é como se este encanto que tenho pelos palcos me corrompesse e me fizesse questionador de mim mesmo.
Mas independente de ganhar a vida nos palcos, a Arte está em minha vida de forma determinante. Entrei na universidade e apesar das inúmeras obrigações, não deixo a rotina profissional tomar conta da minha vida. Procuro sempre apreciar um espetáculo no fim de semana, seja Teatro, Música, Dança ou ainda um jogo de futebol (que bem jogado tambem é Arte). Minha bibliografia obrigatória se acumula; os livros indispensáveis são aos montes. Um dia ainda leio tudo.


Eu vivo!!! - Carlos Henrique de Oliveira, vulgo Didi, em uma discussão com Paulo sobre as ocupações e preocupações da vida acadêmica, na época em que este surtou por bitolar demais.