
Escolhi como tema para tratarmos aqui hoje, um assunto sobre meu cotidiano. Nada menos que a cidade onde moro.
Desde que mudei pra Viçosa, a quase dois anos atrás, com intuito de estudar na universidade aqui existente, me surpreendo com as peculiaridades desta curiosa cidade da Zona da Mata mineira.
Acho que pra quem logo chega em Viçosa, e se habitua com a sua rotina, percebe que aqui é um lugar de grandes contrastes; contrastes estes que se dão de inúmeras formas.
Como toda boa pequena cidade do interior de Minas, Viçosa é, em sua essência, uma cidade conservadora e religiosa. A religiosidade aqui presente chega a surpreender aqueles menos avisados, e se dá de forma plural.
A Igreja Católica exerce um papel muito presente na rotina das pessoas. O sino da Igreja Matriz da cidade badala de 15 em 15 minutos, orientando seus habitantes na correria do dia-a-dia. Nos feriados religiosos, é comum vermos celebrações pelas ruas da cidade, como procissões e festas.
A Igreja Protestante também é aqui uma instituição que se faz presente. Basta percebermos os inúmeros eventos promovidos na cidade (como Congresso Missionário Estudantil da Aliança Bíblica Universitária realizado aqui, em janeiro, que recebeu pessoas de 130 cidades brasileiras e de outros 16 países), a edição de uma revista de circulação nacional para este público,e o fato de ser de Viçosa, a A.B.U.(Aliança Biblica Universitária) de maior atividade no Brasil.
Mas como já dito anteriormente, Viçosa é uma cidade de contrastes. É em frente a esta mesma Igreja Protestante que encontramos um típico buteco, e habitualmente, deitados à beira de sua calçada, homens vítimas do alcoolismo. Provavelmente pais de família sem perpectivas de melhoras para suas vidas, marcados pela grande desigualdade social presente nesta cidade. Entregues à bebida, contrastam com o esteriótipo de outra classe, que partilha com eles mesmos a mesma calçada: os estudantes.
Viçosa é nacionalmente conhecida pela sua universidade, "Pública, Gratuita e de Qualidade". Universidade esta que atrai para a cidade cerca de 12 mil alunos e inúmeros funcionários. 1 a cada 6 habitantes da cidade é estudante da universidade. Público este que sustenta Viçosa. " Se um dia esta universidade acabar, Viçosa está fadada ao fim e ao abandono"; é comum ouvirmos pessoas dizendo isso a todo instante. São estes estudantes, normalmente de boa situação econômica, que movimenta o capital na cidade, por meio das básicas compras de inicio de período, à frequência em festas e bares da cidade de domingo a domingo. Viçosa não nega sua vocação como cidade universitária, mas também não se propõe a deixar de ser apenas isto.
Assim é Viçosa. Dividida entre a (univer)cidade dos estudantes e a cidade dos nativos; marcada pelo conservadorismo de seu povo e o espírito ireverente e "liberal" de seus hóspedes; marcada pelas quatro pilastras, lugar que separa Viçosa e UFV. Esta desigualdade não poderia gerar outra coisa: Violência. Raro, hoje em dia, alguém que nunca foi assaltado na cidade. Relógio, celular, tênis, dinheiro, descência, dignidade. Tudo levado por aquele que na maioria das vezes não tem escolha, que é criado no meio em que o de fora tem de tudo, inclusive prestígio e status.
Culpa de quem? Difícil responder.
Talvez essa realidade fosse um pouco diferente se a própria universidade não reforçasse a cada dia o limite das quatro pilastras, muito mais psicológico do que físico.
Talvez essa realidade fosse diferente se ouvesse uma política de aproximação da universidade com o povo viçosense, que fizesse com que o slogan " ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA" soasse menos hipócrita.
Talvez fosse diferente se os que passam por Viçosa contribuissem com um pouco do que aprenderam aqui.
Viçosa. Cidade plural.
Desde que mudei pra Viçosa, a quase dois anos atrás, com intuito de estudar na universidade aqui existente, me surpreendo com as peculiaridades desta curiosa cidade da Zona da Mata mineira.
Acho que pra quem logo chega em Viçosa, e se habitua com a sua rotina, percebe que aqui é um lugar de grandes contrastes; contrastes estes que se dão de inúmeras formas.
Como toda boa pequena cidade do interior de Minas, Viçosa é, em sua essência, uma cidade conservadora e religiosa. A religiosidade aqui presente chega a surpreender aqueles menos avisados, e se dá de forma plural.
A Igreja Católica exerce um papel muito presente na rotina das pessoas. O sino da Igreja Matriz da cidade badala de 15 em 15 minutos, orientando seus habitantes na correria do dia-a-dia. Nos feriados religiosos, é comum vermos celebrações pelas ruas da cidade, como procissões e festas.
A Igreja Protestante também é aqui uma instituição que se faz presente. Basta percebermos os inúmeros eventos promovidos na cidade (como Congresso Missionário Estudantil da Aliança Bíblica Universitária realizado aqui, em janeiro, que recebeu pessoas de 130 cidades brasileiras e de outros 16 países), a edição de uma revista de circulação nacional para este público,e o fato de ser de Viçosa, a A.B.U.(Aliança Biblica Universitária) de maior atividade no Brasil.
Mas como já dito anteriormente, Viçosa é uma cidade de contrastes. É em frente a esta mesma Igreja Protestante que encontramos um típico buteco, e habitualmente, deitados à beira de sua calçada, homens vítimas do alcoolismo. Provavelmente pais de família sem perpectivas de melhoras para suas vidas, marcados pela grande desigualdade social presente nesta cidade. Entregues à bebida, contrastam com o esteriótipo de outra classe, que partilha com eles mesmos a mesma calçada: os estudantes.
Viçosa é nacionalmente conhecida pela sua universidade, "Pública, Gratuita e de Qualidade". Universidade esta que atrai para a cidade cerca de 12 mil alunos e inúmeros funcionários. 1 a cada 6 habitantes da cidade é estudante da universidade. Público este que sustenta Viçosa. " Se um dia esta universidade acabar, Viçosa está fadada ao fim e ao abandono"; é comum ouvirmos pessoas dizendo isso a todo instante. São estes estudantes, normalmente de boa situação econômica, que movimenta o capital na cidade, por meio das básicas compras de inicio de período, à frequência em festas e bares da cidade de domingo a domingo. Viçosa não nega sua vocação como cidade universitária, mas também não se propõe a deixar de ser apenas isto.
Assim é Viçosa. Dividida entre a (univer)cidade dos estudantes e a cidade dos nativos; marcada pelo conservadorismo de seu povo e o espírito ireverente e "liberal" de seus hóspedes; marcada pelas quatro pilastras, lugar que separa Viçosa e UFV. Esta desigualdade não poderia gerar outra coisa: Violência. Raro, hoje em dia, alguém que nunca foi assaltado na cidade. Relógio, celular, tênis, dinheiro, descência, dignidade. Tudo levado por aquele que na maioria das vezes não tem escolha, que é criado no meio em que o de fora tem de tudo, inclusive prestígio e status.
Culpa de quem? Difícil responder.
Talvez essa realidade fosse um pouco diferente se a própria universidade não reforçasse a cada dia o limite das quatro pilastras, muito mais psicológico do que físico.
Talvez essa realidade fosse diferente se ouvesse uma política de aproximação da universidade com o povo viçosense, que fizesse com que o slogan " ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA" soasse menos hipócrita.
Talvez fosse diferente se os que passam por Viçosa contribuissem com um pouco do que aprenderam aqui.
Viçosa. Cidade plural.
